Augusto Boal teve um importante papel como professor de dramaturgia, nas décadas de 50 e 60 tanto no Teatro de Arena, no qual fundou o Seminário de Dramaturgia e o Laboratório de Atuação, como na Escola de Arte Dramática (EAD). Ele integra o quadro de professores da escola a partir de 1960, ano em que Alfredo Mesquita, fundador e diretor da escola, abre o curso de Dramaturgia e Crítica, até a incorporação da escola pela USP, em 1968. Na EAD, Boal estabelece uma didática inovadora - como já havia ocorrido no Arena, com o ineditismo da pesquisa laboratorial que instituiu por lá após retornar dos Estados Unidos, onde estudou em Columbia - que consistia em ministrar aulas práticas e teóricas e incluir a vida cultural da cidade na sala de aula. O presente trabalho se baseia em anotações das aulas de Boal, material inédito que nos foi cedido pelo dramaturgo Lauro César Muniz. Analisa e reflete sua prática didática em contraste com demais escritos de Boal, principalmente o livro Teatro do Oprimido, no qual ele faz uma espécie de síntese das aulas ministradas na EAD. Utilizamos também, aulas da década de 60, contidas no Arquivo Augusto Boal. Do entrecruzamento e análise desse material surge o retrato de um artista ligado a seu tempo, trabalhando no trânsito entre prática política, didática e artística, tendo sempre a dramaturgia como mediadora.
Tese publicada em livro, em 2019, pela Desconcertos editora.
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