O texto apresenta uma radiografi a do teatro de rua
no Brasil, a partir do itinerário desenvolvido pelo Grupo Imbuaça,
fundado na cidade de Aracaju, Sergipe, em 28 de agosto de 1977.
O Imbuaça, nome que homenageia o artista popular, embolador
Mane Imbuaça, desde o início das suas atividades, vem montando
espetáculos inspirados nas manifestações populares. Participou
dos mais importantes festivais de teatro, circulando por todo o
País e por alguns países da América Latina e Europa. Por meio de
sua participação em eventos artísticos e da realização de oficinas,
seminários e cursos, o grupo viu e ajudou a fazer crescer o teatro de
rua brasileiro.
Refere-se a dramaturgia regionalista nordestina desenvolvida a
partir do Romance de 30. Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho, seus principais
representantes, fundaram na década de 1940 o Teatro do Estudante
de Pernambuco e na de década de 1950 o Teatro Popular do Nordeste. Nesse
decênio nasce o Teatro do Estudante da Paraíba. Nos anos de 1960 cresce o
movimento teatral no Teatro Santa Roza, em João Pessoa e no Teatro Severino
Cabral, em Campina Grande. Na década seguinte surge a dramaturga
Lourdes Ramalho. A dramaturgia regionalista nordestina é composta por
fortes influências culturais, por manifestações populares que trazem importantes
contribuições para o âmbito teatral e literário.
Palavras-chave: dramaturgia regionalista nordestina; dramaturgia do Nordeste;
dramaturgos nordestinos.
Este trabalho tem como objetivo analisar a formação da identidade cultural do personagem
Euricão na construção da memória social e do discurso literário, constituintes nos aspectos estéticos
dos risos na peça teatral O Santo e a Porca, alcunhadapor seu caráter cômico,evidenciados nos
risos intensos e nas zombarias da diegese desta obra, em virtude da frustação da vontade e do
ato de fazer alguém de bobo. Nessa peça teatral, de Ariano Suassuna, investigamos como acontece
a comicidade e, em seguida, analisamos os aspectos do riso presentes na trama narrativa da
obra, ressaltando as riquezas dessa representação sociocultural, como uma boa comédia nordestina
brasileira capaz de caracterizar o arquétipo literário de Euricão por meio da construção da
memória social e da produção de discursos em função, sobretudo das relações sociais, culturais,
religiosas comuns nas produções e vivências do povo nordestino sob à ótica, de Suassuna, em
algumas de suas peças teatrais.
Espaços alternativos têm sido muito recorrentes para abrigar espetáculos contemporâneos. Este artigo pretende analisar como uma peça de Ariano Suassuna foi encenada em casa noturna de sucesso instalada em dois sobrados geminados no centro do Rio de Janeiro, antigo antiquário transformado após a requalificação da área. Dirigida por Elza de Andrade, a peça Farsa da Boa Preguiça (2001) comprova a vitalidade do espaço teatral “encontrado” para o sucesso da montagem. Analisa-se neste ensaio, com base nos estudos semiológicos de Patrice Pavis e Marvin Carlson, de que modo os signos do espaço realçaram os signos verbais de Suassuna em texto renomado em que o autor discute o ócio criador do poeta popular sertanejo e ressalta a diferença de visão de mundo do brasileiro em relação à dos habitantes do hemisfério norte. Entre a realidade e fantasia, a diretora criou um espetáculo no antigo antiquário que resultou em perfeita simbiose entre o texto e o espaço.