O presente artigo pretende pensar, primordialmente, as
faces do circo em diferentes momentos históricos, sem, contudo,
apontar-lhe uma origem, segundo a perspectiva genealógica de
Michel Foucault. Percorre, para tanto, a produção de subjetividades
circenses com recortes de análise que se compõem a partir de
pesquisas históricas e das muitas vozes do diário de bordo, importante
ferramenta de trabalho, que provocou inúmeras indagações: como o
circo, hoje, fala de nosso tempo? Que encontros são possíveis num
solo do contemporâneo? Que modos de vida, que subjetividades são
inventadas no universo circense?
Este trabalho tem por objetivo mostrar o processo de pesquisa que consiste em identificar e analisar as (micro) relações de poder dentro do texto Eles Não Usam Black-Tie, escrito por Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006). Para isto, fazemos uso do pensamento do estudioso francês Michel Foucault (1926-1984), nos relacionando, assim, com um aspecto multidisciplinar do nosso processo em que dialogamos com outra área do conhecimento: a filosofia. Nos valemos do seu livro Microfísica do Poder (1979) para nos auxiliar como principal obra consultada. Para observar estas relações dentro da peça de Guarnieri, lançamos nosso olhar sobre as personagens da casa Black-Tie e observamos a presença da mulher como fator que influencia na circulação do poder. Neste sentido, focamos nas (micro) relações de poder entre a classe operária e os empregadores, procurando, também, evidenciar a hierarquização familiar existente dentro do texto. Sendo assim, acreditamos que nosso processo dialoga com um texto polít