Procuramos, neste trabalho, empreender uma discussão sobre o trágico na peça O
pagador de promessas, de Dias Gomes. Nela, o protagonista do drama, Zé-doBurro,
faz uma promessa em um terreiro de Candomblé e, exatamente por isso, é
impedido de cumprir a jura na Igreja Católica, o que desencadeia um desfecho
catastrófico, envolvendo a morte dessa personagem. Argumentamos que as
configurações do trágico, no corpus aqui analisado, não estão necessariamente
ligadas a esse final, mas desdobram-se em duas frentes: uma, ligada à
impossibilidade de cumprir a promessa e a tudo o que isso revela sobre o mundo em
que Zé-do-Burro se move, e outra, ligada à tensão estabelecida a partir do conflito
entre as religiões e a partir da forma como se concebe o sagrado e o profano, nessa
pesquisa entendidos como forças antitéticas. Desse modo, os elementos da peça
são a ideologia de poder, a intolerância, os valores capitalistas, entre outros que, em
conjunto e articulados, configuram-se como trágicos.